quinta-feira, março 08, 2012

A FILOSOFIA E O SAPO

Aprendi muito. Principalmente, DUAS coisas:


1)
Conheça-te a ti mesmo. Aforisma inscrito na entrada do Templo de Apolo e tomada por Sócrates como norteador da vida.
2)
Mantenha o bom humor. Melanie Klein dizia: quando o paciente ri de si mesmo já está no caminho da cura.

Pois, então, vamos filosofar com humor, pois brincadeiras também nos fazem pensar. Por isso publico um spam recebido de UM outro filósofo.
Autor? Não sei.

Por que o sapo não lava o pé?

Olavo de Carvalho: O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer. Elemora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer  e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o Mundo, um tipo de atitude oriundo de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene!
Marx: A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio,
encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O
sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada
pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o
sapo não tem acesso à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.

Engels: isso mesmo.
Foucault: Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação e relação à higiene do pé - bem como de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em relação às disciplinas - domesticação docorpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista  jamais seria possível - é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.

Weber: A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lava o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo - a vida na lagoa.

Nietzsche: Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação - herança de povos mediterrâneos, certamente - uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolceza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida - e difícil - fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé.

Filmer: Podemos ver que, desde a época de Adão, os sapos têm lavado os pés. Aliás, os seres, em geral, têm lavado os pés à beira da lagoa. Sendo o sapo um descendente do sapo ancestral, é legítimo, obrigatório e salutar que ele lave seus pés todos os dias à beira do lago ou lagoa. Caso contrário, estará incorrendo duplamente em pecado e infração.

Locke: Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo
contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.

Kant: O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal. Nota de Freud: Kant jamais lavou seus pés.

Freud: Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.

Jung: O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não
lava o pé.

Kierkegaard: O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.

Hegel: podemos observar na lavagem do pé a manifestação da Dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo - em relação à higiene - para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.

Comte: O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.

Schopenhauer: O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou "véu de Maya". A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de Coisa-em si, e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado
por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: "O mundo como vontade e representação".

Aristóteles: O [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte . Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.

Platão:
Górgias: Por Zeus, Sócrates, os sapos não lavam os seus pés porque não gostam da água!
Sócrates: Pensemos um pouco, ó Górgias. Tu assumiste, quando há pouco dialogava com Filebo, que o sapo é um ser vivo, correto?
Górgias: Sou forçado a admitir que sim.
Sócrates: Pois bem, e se o sapo é um ser vivo, deve forçosamente fazer parte de uma categoria determinada de seres vivos, posto que estes dividem-se em categorias segundo seu modo de vida e sua forma corporal; os cavalos são diferentes das hidras e estas dos falcões, e assim por diante, correto?
Górgias: Sim, tu estás novamente correto.
Sócrates: A característica dos sapos é a de ser habitante da água e da terra, pois é isso que os antigos queriam dizer quando afirmaram que este animal era anfíbio, como, aliás, Homero e Hesíodo já nos atestam. Tu pensas que seria possível um sapo viver somente no deserto, tendo ele necessidade de duas vidas por natureza,ó Górgias?
Górgias: Jamais ouvi qualquer notícia a respeito.
Sócrates: Pois isto se dá porque os sapos vivem nas lagoas, nos lagos e nas poças, vistos que são animais, pertencem e uma categoria, e esta categoria é dada segundo a característica dos sapos serem anfíbios.
Górgias: É verdade.
Sócrates: precisando da lagoa, ó Górgias meu caro, tu achas que seria o sapo insano o suficiente para não gostar de água?
Górgias: não, não, não, mil vezes não, Ó Sócrates!
Sócrates: Então somos forçados a concluir que o sapo não lava o pé por outro motivo, que não a repulsa à água
Górgias: de acordo

Diógenes, o Cínico: Dane-se o sapo, eu só quero tomar meu sol.

Parmênides de Eléia: Como poderia o sapo lavar os pés, ó deuses, se o movimento não existe?

Heráclito de Éfeso: Quando o sapo lava o pé, nem ele nem o pé são mais os mesmos, pois ambos se modificam na lavagem, devido à impermanência das coisas.

Epicuro: O sapo deve alcançar o prazer, que é o Bem supremo, mas sem excessos. Que lave ou não o pé, decida-se de acordo com a circunstância. O vital é que mantenha a serenidade de espírito e fuja da dor.

Estóicos: O sapo deve lavar seu pé de acordo com as estações do ano. No inverno, mantenha-o sujo, que é de acordo com a natureza. No verão, lave-o delicadamente à beira das fontes, mas sem exageros. E que pare de comer tantas moscas, a comida só serve para o sustento do corpo.

Descartes: nada distingo na lavagem do pé senão figura, movimento e extensão. O sapo é nada mais que um autômato, um mecanismo. Deve lavar seus pés para promover a autoconservação, como um relógio precisa de corda. Diria, até: lavo o pé, logo sou.

Maquiavel: A lavagem do pé deve ser exigida sem rigor excessivo, o que poderia causar ódio ao Príncipe, mas com força tal que traga a este o respeito e o temor dos súditos. Luís da França, ao imperar na Itália, atraído pela ambição dos venezianos, mal agiu ao exigir que os sapos da Lombardia tivessem os pés cortados e os lagos tomados caso não aquiescessem à sua vontade. Como se vê, pagou integralmente o preço de tal crueldade, pois os sapos esquecem mais facilmente um pai assassinado que um pé cortado e uma lagoa confiscada.

Rousseau: Os sapos nascem livres, mas em toda parte coaxam agrilhoados; são presos, é certo, pela própria ganância dos seus semelhantes, que impedem uns aos outros de lavarem os pés à beira da lagoa. Somente com a alienação de cada qual de seu ramo ou touceira de capim, e mesmo de sua própria pessoa, poder-se-á firmar um contrato justo, no qual a liberdade do estado de natureza é substituída pela liberdade civil.

Horkheimer e Adorno: A cultura popular diferencia-se da cultura de massas, filha bastarda da indústria cultural. Para a primeira, a lavagem do pé é algo ritual e sazonal, inerente ao grupamento societário; para a segunda, a ação impetuosa da razão instrumental, em sua irracionalidade galopante, transforma em mercadoria e modismo a lavagem do pé, exterminando antigas tradições e obrigando os sapos a um procedimento diário de higienização.

Gramsci: O sapo, e além dele, todos os sapos, só poderão lavar seus pés a partir do momento em que, devido à ação dos intelectuais orgânicos, uma consciência coletiva principiar a se desenvolver gradativamente na classe batráquia. Consciência de sua importância e função social no modo de produção da vida. Com a guerra de posições - representada pela progressiva formação, através do aparato ideológico da sociedade civil, de consensos favoráveis- serão criadaspossibilidades para uma nova hegemonia, dessa vez sob  a direção das classes anteriormente subordinadas.

Bobbio: existem três tipos de teoria sobre o sapo não lavar o pé. O primeiro tipo aceita a não-lavagem do pé como natural, nada existindo a reprovar nesse ato. O segundo tipo acredita que ela seja moral ou axiologicamente errada. A terceira espécie limita-se a descrever o fenômeno, procurando uma certa neutralidade.

Cláudio Costa: o sapo não lava os pés. Ele não tem pés, tem patas.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

SOU PROFESSOR DE FILOSOFIA CONCURSADO



PORTARIA Nº 044 de 27 de fevereiro de 2012.

O SECRETÁRIO DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO E DOS RECURSOS HUMANOS, no uso de suas atribuições legais,
CONSIDERANDO as decisões judiciais prolatadas nos autos das Ações Civis Públicas nº 001.08.026076-5 – 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal, 001.08.014918-0 – 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal e 00696-2009-001-21-00-2 – 1ª Vara do Trabalho de Natal da 21ª Região, obrigando o Estado do Rio Grande do Norte a promover concurso público para contratação de professores.
RESOLVE tornar público e homologar, conforme Anexo Único, o resultado final do Concurso Público de Provas e Títulos, para provimento dos cargos efetivos de Professor e Especialista de Educação, integrantes do Quadro de Geral de Pessoal do Estado – Secretaria de Estado da Educação e da Cultura – SEEC, realizado com fundamento no Edital n.º 001/2011 SEARH/SEEC, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) n.º 12.564 de 15 de outubro de 2011, conforme relação anexa apresente Portaria.
PUBLIQUE-SE.
Antônio Alber da Nóbrega
SECRETÁRIO DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO E DOS RECURSOS HUMANOS

Anexo Único à Portaria 044 de 27 de fevereiro de 2012.
RESULTADO FINAL POR PÓLO/CARGO/COMPONENTE CURRICULAR, COM NOME, INSCRIÇÃO, PONTUAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO FINAL.

82. PROFESSOR FILOSOFIA - POLO V - PAU DOS FERROS:
Antonio Renio Gurgel de Oliveira; 040002007-6; 11,78; 5 /
Jadismar de Lima Figueiredo; 040002018-1; 11,40; 6 /
Karla Samara dos Santos Sousa; 040002022-0; 13,88; 1 /
Manoel Marcos Nascimento dos Santos; 040002024-6; 11,93; 4 /
Marcilio Reginaldo de Sousa; 040002026-2; 13,20; 2 /
Tassio Ricelly Pinto de Farias; 040002029-7; 12,00; 3.

domingo, agosto 28, 2011

Prefeita Goreti participa de Encontro Estadual do Selo UNICEF



Prefeita Goreti participa de Encontro Estadual do Selo UNICEF





A prefeita de Apodi Maria Goreti Silveira Pinto participou Encontro Estadual do Selo UNICEF “Meu Município me faz Crescer” na capital do estado, Natal. Além da prefeita participaram também a Secretária de Saúde Ítala Sena, Secretário de Educação Izauro Camilo de Oliveira e o  Subsecretário de Desenvolvimento e Assistência Social e articulador do selo no município de Apodi Marcílio Reginaldo.

O evento aconteceu durante os dias de 25 e 26 deste na capital do estado Natal. E contou com a participação da coordenadora UNICEF nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí Ana Márcia Diógenes Paiva Lima. A reunião foi uma sequência do plano municipal de ação, elaborado durante o 1º Fórum do Selo UNICEF, realizado em Apodi no ano de 2010.

ASCOM - PMA

sábado, junho 04, 2011

sábado, maio 07, 2011

Eternamente Mãe



Eternamente Mãe
♥♥♥

MÃE...
que na presença constante me ensinou
na pureza do seu coração a vislumbrar caminhos...
MÃE...
dos primeiros passos, das primeiras palavras...
MÃE...
do amor sem dimensão, de cada momento,
dos atos de cada capítulo de minha vida não ensaiados,
mas vividos em cada emoção...
MÃE...
da conversa no quintal,
do acalanto do meu sono aquecido de amor,
aninhada em seu coração...
MÃE ...
do abraço, do beijo que levo na lembrança...
MÃE...
é você que me inspira a caminhar...
MÃE...
a presença de cada passo que o tempo não apaga:
por mais longo e escuro que seja o caminho,
haverá sempre um horizonte...
MÃE...
Mulher a quem devemos a vida,
que merece o nosso respeito, nossa gratidão e nosso afeto.

Autor Desconhecido

quarta-feira, maio 04, 2011

CONSCIENTIZAR OU SENSIBILIZAR

            

CONSCIENTIZAR         OU                  SENSIBILIZAR 



Debater, discutir, explicar, esclarecer e informar parecem noções cada vez mais fora de moda. O que agora parece ser mais importante é: sensibilizar. Um pouco por todo o lado, e não apenas nas escolas, se multiplicam as acções de sensibilização. São acções de sensibilização ambiental, programas de sensibilização para os perigos do consumo de drogas, sessões de sensibilização contra o racismo, e assim por diante. Vejo quase todos os dias passar por mim viaturas da empresa municipal de águas e resíduos da cidade onde vivo com o slogan “Educar e sensibilizar.” Nas conversas televisivas ouvimos frequentemente dizer que é necessário sensibilizar as pessoas para fazer mais exercício físico, para participar mais activamente na vida pública, para a necessidade de poupar, para a violência doméstica, etc. Até nas planificações das actividades lectivas das mais variadas disciplinas a sensibilização aparece. Fica-se com a ideia de que quando se pretende promover ou inibir certas atitudes, opiniões ou comportamentos nas pessoas, o que há a fazer é, sobretudo, sensibilizá-las para isso. A sensibilização parece ser a grande ideia pedagógica dos nossos dias. Defendo que esta ideia é profundamente errada e pedagogicamente desastrosa: educar não é, nem deve ser, sensibilizar.
Vale a pensar no que significa “sensibilizar.” Como a própria palavra indica, sensibilizar é levar as pessoas a sentir o que antes disso não sentiam. Ou também levar as pessoas a sentir as coisas de um modo diferente. É, no fundo, intervir nas emoções ou sentimentos das pessoas. Isto torna clara a diferença entre, por um lado, a sensibilização e, por outro, a informação e a discussão racional. Ao contrário do que se passa com a sensibilização, nem o acto de informar nem a discussão racional se apoiam na emoção.
A sensibilização aproxima-se, assim, da publicidade e da propaganda. Também estas assentam numa espécie de apelo emocional, procurando induzir certos comportamentos e atitudes: consumir um dado produto ou aderir a uma dada ideia. Sensibilizar as pessoas não é, pois, o mesmo que facultar-lhes informação ou esclarecê-las. Nesse sentido, é irrelevante que a adesão se apoie numa avaliação crítica e racional do que está em causa. Tudo o que se procura é que a adesão seja efectiva. Aliás, o convite a uma apreciação crítica pode mesmo ser prejudicial. É o que, de resto, se verifica a maior parte das vezes nas chamadas “acções de sensibilização,” que consistem normalmente na produção e repetição de slogans e spots publicitários com imagens e música atraentes (no caso de se estar a promover um dado comportamento) ou com imagens e música perturbadoras (no caso de se estar a censurar um dado comportamento), mas também de actividades tão esclarecedoras como fazer desenhos, cantar em coro palavras bonitas, organizar espectáculos e vigílias, e outras iniciativas do género.
O problema é que nada disso tem qualquer valor formativo, pois não só não promove a autonomia das pessoas, como tende a atrofiá-la, reprimindo a sua capacidade crítica. É confundir publicidade e propaganda com pedagogia. Recorrer à publicidade como ferramenta pedagógica é um contra-senso, pois não se formam pessoas autónomas e informadas com manipulação emocional, mas sim com informação rigorosa, esclarecimento técnico e debate de ideias. Ora, a publicidade não se destina a formar pessoas mas a vender produtos, sejam eles sabonetes, telemóveis, livros, ideias ou comportamentos e atitudes. A pedagogia claramente não é nem deve ser uma actividade publicitária ou propagandística.
Poder-se-á argumentar que nem sempre as pessoas estão atentas aos problemas e que, por vezes, é preciso encontrar maneira de as fazer olhar para o sítio certo. Sensibilizá-las seria, então, uma maneira de despertar as pessoas para os problemas, obrigando-as a confrontar-se com eles. Neste caso, o discurso publicitário poderia ensinar-nos a levar as pessoas a ver o que não queriam ou não conseguiam ver e isso seria apenas um primeiro passo sem o qual não poderia haver, posteriormente, verdadeiro esclarecimento. Seria, afinal, uma boa maneira de pôr a eficácia das ferramentas publicitárias ao serviço da pedagogia, em vez de substituir uma coisa pela outra.
Mas isto assenta numa incompreensão da natureza da pedagogia. A pedagogia não é o processo pelo qual se leva alguém a aderir a determinadas ideias ou a adoptar determinadas atitudes, por muito boas que nos pareçam. A pedagogia é o processo pelo qual se ajuda alguém a encontrar, de forma esclarecida, o seu caminho e a formar as suas próprias ideias, ainda que estas possam ser partilhadas por outros. Assim, o verdadeiro pedagogo não é aquele que, por exemplo, procura convencer o aprendiz das vantagens da democracia, mas aquele que convida o aprendiz a discutir de forma racional as vantagens e desvantagens da democracia, de modo a tirar e justificar as suas próprias conclusões. Pôr os jovens a papaguear slogans que nunca avaliaram criticamente pode ser muito divertido, mas não é certamente formativo e é duvidoso que seja eficaz a longo prazo. Tive um bom exemplo disso há alguns anos, quando foi pedido às escolas secundárias de todo o país que dedicassem um dia de sensibilização contra o uso de drogas. Foi sugerido a cada professor que usasse quinze minutos das suas aulas para falar do assunto e que, no fim, estes escolhessem a melhor frase para escrever e afixar na porta da sala de aula. Alguns alunos, já devidamente sensibilizados, ficaram algo indignados quando levantei reservas à frase escolhida: “A droga não dá prazer.” Expliquei que talvez fosse melhor escolher uma frase verdadeira. Perante a surpresa quase geral, acabei por perguntar por que razão haveriam as pessoas de se drogar, se não retirassem qualquer prazer disso. A resposta foi um silêncio embaraçoso, a que nenhuma sensibilização ajudou a dar resposta. Bom, sempre se aproveitou o impasse para começar, então, a pensar por que razão consumir drogas é uma má ideia, apesar de até poderem dar prazer.
O leitor mais renitente poderá conceder que as acções de sensibilização não passam de uma forma paternalista de ver as coisas e que, portanto, não respeitam a autonomia das pessoas. Mas pode, ainda assim, insistir que o paternalismo nem sempre é inadequado, sendo até a única maneira de educar jovens ainda imaturos. Se o paternalismo fosse sempre mau, os pais estariam a fazer mal às suas crianças quando procuram induzir nelas certas ideias ou atitudes. Ora, isso parece descabido: os pais não estão sempre a fazer-lhes mal ao agir desse modo; logo, o paternalismo não é sempre mau, e a sensibilização é aceitável.
É verdade que nem todo o paternalismo é injustificado e o caso apontado mostra-o. Mas esse paternalismo assenta na legitimidade conferida pelo amor e protecção paternais. E só nisso. De resto, mesmo as crianças têm muito a ganhar se as coisas lhes forem sendo paulatinamente explicadas em vez de lhes serem docemente — por vezes, duramente — impostas.
Frequentemente se apontam defeitos ao período revolucionário vivido em Portugal imediatamente após o 25 de Abril. Mas há que reconhecer que, entretanto, também perdemos coisas boas desse tempo. Ao menos não estávamos constantemente expostos a tanta acção de sensibilização. Em vez disso, havia muitas sessões públicas de esclarecimento e de debate aberto, como então eram designadas. Pode-se dizer que é só uma questão de palavras. Ainda assim, parece que, nem que seja nas palavras, havia bastante mais respeito pela autonomia das pessoas e nos tratávamos mutuamente como pessoas crescidinhas.

Aires Almeida