terça-feira, junho 23, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'TRANSCENDÊNCIA'

   Trancendência significa estar além dos limites do mundo ( a palavra metafísica, que significa além da natureza está relacionada a palavra transcendência). Na época mitológica, os gregos tomavam os deuses como participantes de suas vidas e de todos os fenômenos, como pode ser lido em Ilíada e Odisséia do poeta Homero. Apesar desta participação, eles residiam no Olimpo (Monte Olimpo - o ponto mais alto da Grécia), sugerindo um plano além do mundo dos mortais (modo como os gregos se tratavam para se diferenciarem dos deuses, que eram imortais). O conceito 'transcendência' opõe-se ao conceito 'imanência'.

segunda-feira, junho 22, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'CAUSA'
   Contrapondo-se à narrativa, que está vinculada à transcendência, a causa, na Filosofia pré-socrática está vinculada à imanência, ou seja, a causa é aquilo que fez surgir o fenômeno (fenómeno = acontecimento observável (literalmente algo que pode ser visto, derivado da palavra grega phainomenon = observável) e que está subjacente a ele, mas não está fora do mundo ou da natureza.
  
 "A causa é o termo correlacionado a efeito e que se concebe a partir de dois enfoques fundamentais:
O primeiro seria o vínculo que correlaciona os próprios fenômenos e que faz com que um ou vários deles apareçam como condição da existência de outros, isto é, onde existe uma causa, sempre haverá o efeito desta, instantâneo ou retardado no domínio do tempo.
O segundo é a relação entre um ser inteligente e o ato que ele praticou voluntariamente e pelo qual é responsável, ou, se alguém cometer algum ato, bom ou mau sempre terá o retorno deste, na mesma proporção, por exemplo, causa: comer alimento, efeito, saciar a fome; causa comer veneno, efeito, provavelmente morrer, cabe salientar que nem todos os efeitos sucedem à causa com a mesma intensidade; o indivíduo pode comer o veneno, porém pode permanecer vivo, porém os efeitos serão sentidos pela mesma causa."

domingo, junho 21, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'NARRATIVA'

   O conceito 'narrativa' neste tópico está relacionado aos poemas épicos Ilíada e Odisséia. O poema Ilíada conta como foi a guerra entre gregos e troianos, e mostra as virtudes da aristocracia grega e a relação destas virtudes com os deuses. Trecho inical de Ilíada:
  
   "Canta, ó Musa, a ira de Aquiles, filho de Peleu, que incontáveis males trouxe às hostes dos aqueus. Muitas almas de heróis desceram à casa de Hades e seus corpos foram presa dos cães e das aves de rapina, enquanto se fazia a vontade de Zeus, a partir do dia em que se desavieram o filho de Atreu, rei dos homens, e Aquiles, semelhante aos deuses. 

    Que deus provocou a desavença entre eles? O filho de Leto e de Zeus, que fora ofendido pelo rei. Assim, ele mandou sobre o acampamento a peste cruel e muita gente morreu. O rei ofendera seu sacerdote, Crises, quanto este chegara até os navios dos aqueus, levando consigo ricos presentes para resgatar sua filha. Empunhava um bastão de ouro, enfeitado com as guirlandas de Apolo, o arqueiro infalível, e dirigiu sua súplica a todos os aqueus, mas especialmente aos dois príncipes filhos de Atreu.
_ Filhos de Atreu e vós, aqueus seus súditos, possam os deuses que moram no Olimpo permitir que tomes a cidade de Príamo e que regresseis sem percalços à vossa pátria! Libertai, porém, minha amada filha, eu vos imploro, e respeitai Apolo, o arqueiro infalível, filho de Zeus."


   Como se vê, a narrativa conta uma história, esta é característica principal da mitologia. A narrativa apresenta uma ação onde aparecem conflitos, personagens (deuses e homens), cenas exemplares, características humanas e divinas, e principalmente as virtudes.
   Como aponta Mircea Eliade (mitólogo): 
"o mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do "princípio". Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma "criação": ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente. Os personagens dos mitos são os Entes Sobrenaturais. Eles são conhecidos sobretudo pelo que fizeram no tempo prestigioso dos "primórdios". 

sábado, junho 20, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'EXISTENCIAL'
   Existencial significa, neste item do programa, aquilo que se refere à natureza (phisys), ou seja, àquilo que existe. Origem existencial da Filosofia, portanto, é a investigação sobre as causas que deram origem as coisas da natureza. Nesta busca, os filósofos naturalistas gregos em sua maioria encontraram como causa elementos da própria natureza. Quando a causa é apenas um elemento, água ou ar, ou terra, ou fogo, ou apeiron, ou logos, os filósofos que pensam assim são chamados de monistas.

sexta-feira, junho 19, 2015

SÉRIE CONCEITO


CONCEITO 'LOGOS'





Site: www.philosophy.pro.br
Autor: Flávio Netto Fonseca
Professor de Filosofia






   "Disse Heráclito (filósofo grego, pré-socrático): "Tudo acontece de acordo com logos". Mas o que é logos? Seu significado mais básico é verbo. Nos séculos anteriores a Heráclito, logos significava também relato, linguagem e história. Já na época de Heráclito, logos podia significar razão, princípio e explicação. Alguns o definiram como lógica ou fórmula. Creio que o que Heráclito queria dizer era "o princípio organizacional, segundo o qual o cosmo se ordena a si próprio". Este princípio se manifesta nos mais diferentes padrões que identificamos. Um pensamento final: Heráclito, sempre capaz de ser ao mesmo tempo literal e metafórico, sabia que o "verbo" é "falado". E o que fala o cosmo? Eu creio que os "padrões" são a forma como o logos nos é falado. Daí a minha tradução: O cosmo fala por meio de padrões." (Roger von Oech)
   Pelo texto acima pode-se ver que 'logos' é uma forma explicativa da causa do que acontece.



quinta-feira, junho 18, 2015

Entre o Roubo e o Arrependimento



Na hora de fraudar, desviar, ser corrupto e corromper, traficar influencia, alterar valores em licitações, emitir documentos falsos e outros atos ilícitos, nenhum dos que são acusados revelão estarem hipertensos, diabéticos, síndrome do panico e outros problemas de saúde. Quando são pegos no crime alegam todo tipo nervosismo e doenças menos arrependimento e vontade de restituir o produto do crime.

SERIE CONCEITO

O CONCEITO 'FILOSOFIA'











Site: www.philosophy.pro.br
Autor: Flávio Netto Fonseca
Professor de Filosofia
    Filosofia é um conceito que abrange várias coisas, portanto para defini-la é necessário fazer uma escolha. Podemos tomar a definição dada por Marilena Chaui(filósofo brasileira): "A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido."
   "Para Platão a filosofia tem um fim prático, moral; é a grande ciência que resolve o problema da vida. Este fim prático realiza-se, no entanto, intelectualmente, através da especulação, do conhecimento da ciência. Mas - diversamente de Sócrates, que limitava a pesquisa filosófica, conceptual, ao campo antropológico e moral - Platão estende tal indagação ao campo metafísico e cosmológico, isto é, a toda a realidade." (site: Mundo dos Filósofos)
   A Filosofia surgiu como busca de respostas para a causa dos fenômenos, já que a mitologia tinha sido questionada e abandonada como poder explicativo para eles. Abandona-se a narrativa mitológica e inventa-se outro tipo de linguagem com poder de explicar. Esta linguagem tem a característica de ser coerente, pertinente e imanente. Não se recorre mais a seres sobrenaturais para as explicações, a partir da Filosofia as explicações deixam de ser transcendentes e passam a ser imanentes, ou seja, a causa dos fenômenos emana da própria natureza. O termo inventado por Heráclito para expressar esta linguagem foi 'logos'. Com os filósofos pré-socráticos, 'logos' era um fundamento que causava os fenômenos.
   Filosofia, amizade ao saber, é, portanto, a área do conhecimento humano que busca entender fatos, fenômenos, e a origem das coisas da natureza e das relações humanas fundamentadas na própria natureza e nas relações. Para melhor entender: para responder qual a utilidade e quais os fundamentos da Ciência, é necessário a Filosofia da Ciência, pois a linguagem científica é insuficiente para dar esta resposta.
   Os pré-socráticos buscavam os fundamentos quando faziam Filosofia: Tales disse que o fundamento de todos os fenômenos era a água: "Tudo é água.", Heráclito disse: 'O logos é fogo.'
   Disse Nietzsche: "a filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matiz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisália, está contido o pensamento: ‘Tudo é um’. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e no-lo mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego".
   A Filosofia está no universo da razão ou da racionalidade. E ela ocorre quando os filósofos pensam a respeito dos fundamentos de outras ciências. Jonh Dewey(filósofo americano) disse sobre a Filosofia: "Pois, para encontrar os fatos deste mundo e as suas causas, é claro que deveremos recorrer às matemáticas, à física, à química, à biologia, à antropologia, à história, etc., e não à filosofia. Às ciências é que compete dizer quais as generalizações admissíveis sobre o mundo e quais, especificamente, são elas. Mas quando perguntamos que espécie de atitude permanentemente ativa para com o mundo as revelações científicas exigem de nós, estamos a formular uma questão filosófica."
   A Filosofia procede como a Ciência: procura generalizar através de conceitos após uma exaustiva pesquisa de seus objetos. Mas Filosofia não é Ciência. Disse o filósofo Spnville:
  O que é filosofia? É uma prática teórica (discursiva, razoável, conceitual), mas não científica; ela se submete unicamente à razão e à experiência - com exclusão de toda revelação de origem transcendente ou sobrenatural - e visa menos a conhecer do que a pensar ou questionar, menos a aumentar nosso saber do que a refletir sobre aquilo que sabemos ou ignoramos. Seus objetos de predileção são o Todo e o homem. Seu alvo, que pode variar segundo as épocas e os indivíduos, será com mais freqüência a felicidade, a liberdade ou a verdade, e mesmo a conjunção das três (a sabedoria).

quarta-feira, junho 17, 2015

ASSEMBLEIA DE DEUS  NO  ASSENTAMENTO  AURORA  DA  SERRA   DIRIGENTE  PRESB,  GENTIL GOMES    EM 2-9-2014
Posted by Gentil Gomes on Terça, 2 de setembro de 2014


SÉRIE CONCEITO
O CONCEITO 'MITOLOGIA'
    Mitologia é um conceito criado após o surgimento da Filosofia. Na antiguidade grega, antes da Filosofia, a mitologia era o modo narrativo que os gregos usavam para explicar o por quê dos fenômenos (aquilo que aparece às sensações). Havia narrativa para explicar praticamente tudo. Este poder explicativo estava vinculado a outro fator muito importante e muito caro aos gregos: a crença de que as narrativas tinham de fato acontecido do modo como descrito na narração; não havia dúvidas e nem porque duvidar. Como as narrativas falavam sempre de um mundo sobrenatural, ou seja, um mundo que transcendia a natureza das coisas visíveis, havia uma interação inquestionável e indubitável entre homens, natureza e deuses. Os deuses eram vistos, principalmente, por sua característica que os diferenciavam dos homens, a imortalidade. Os homens chamavam-se, entre si, de mortais, justamente porque eram diferentes dos deuses. Os mitos referiam-se à origens de um fato ou de um estado de coisas, por exemplo, ao nascimento, à morte, ao clima, à guerra, a uma relação entre homens ou entre homens e natureza. O mito, portanto, explicava como algo veio a ser como é. A comprovação inquestionável do mito se dá pelo fato das coisas serem como são, por exemplo, o mito da morte é comprovado pela existência da morte. Como a narrativa era uma história sagrada, não havia preocupação em querer saber porque os deuses agiram como agiram, simplesmente havia aceitação tácita que era a crença, ou seja, as coisas aconteceram como aconteceram e ponto final.
   As narrativas mitológicas chegaram aos gregos pela oralidade vindas de tempos imemoriais. De tempos em tempos os mitos eram rememorados. Nestas épocas ou momentos, os gregos reatualizavam suas crenças, e delas tiravam suas forças e energias para continuarem a viver, trabalhar e lutar. É importante observar que o foco de suas preocupações em momentos de crise ou conflitos estava vinculada ao passado mitológico. A ênfase estava, portanto, no presente alimentado pelo passado.