domingo, junho 28, 2015

SERIE CONCEITO


Noções de Lógica 

Os conceitos são bem de marcado: 


O CONCEITO 'INFERÊNCIA'

   Inferência é a operação mental pela qual se extrai uma conclusão (nova proposição) de uma ou mais proposições já conhecidas.

Verdadeiro e falso

Veremos duas maneiras de se estabelecer o que é verdadeiro ou falso.

1. Verdade por correspondência com os fatos
   A verdade está relacionada ao mundo dos fatos e eventos, ou seja, está relacionado àquilo que chamamos de realidade.

1º A proposição 'Chove lá fora!' (com aspas) é verdadeira se chove lá fora (sem aspas). 'Chove lá fora!' é uma proposição falsa se lá fora não chove.
2º 'A grama é sintética.' é uma proposição verdadeira se é fato que a grama é sintética. 'A grama é sintética.' é ma proposição falsa se a grama é natural.

Portanto, a verdade da proposição corresponde ao fato que ela afirma.

2. Verdade por referência a um conjunto dado


   A verdade de uma proposição está relacionada ou referida a um conjunto dado a priori.

1º Dado o conjunto N = {1, 2, 3, 4}. '2 pertence ao conjunto N' é uma proposição verdadeira. '7 pertence ao conjunto N é uma proposição falsa.

2º Dado o conjunto dos estados brasileiros E = {Ceará, Espírito Santo, Acre, São Paulo, etc.}. 'Texas é um estado brasileiro.' é uma proposição falsa.

Observações:
. Estabelecer a verdade por correspondência é problemático pois, é necessário averiguar de algum modo os fatos da realidade. Normalmente os sentidos são o caminho para isso; constata-se com a visão, com a audição e com o tato que chove lá fora, por exemplo. Mas, e se a pessoa que faz esta constatação está delirando ou sonhando? E se a pessoa que fez a proposição se baseou na proposição de outra pessoa e se esta outra pessoa estiver mentindo?
. No segundo caso, verdade por referência a um conjunto dado, é necessário que se aceite a priori o conjunto dado.

O CONCEITO 'VALIDADE'
  Argumento
   Um argumento não é uma proposição. Ele é uma composição de proposições. Por exemplo: 'Faz sol.', 'Hoje choveu pela manhã.', 'Fui ao shopping ontem.', 'Estou com dor de cabeça.', 'A grama é sintética.', 'Tenho muita saudade dele.', são apenas proposições, não são argumentos.
   Mas, a composição: 'Se fizer sol, irei ao shopping. Faz sol, logo, irei ao shopping.'. Este exemplo é um argumento.

Argumento lógico (ou silogismo lógico)

   Um argumento é lógico se ele conclui uma proposição particular a partir de uma proposição geral e se ele concluir o conseqüente afirmando-se o antecedente.

Exemplos do primeiro tipo:

Todo homem é mortal. (premissa geral)
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal. (conclusão particular)

Este argumento é denominado de argumento lógico válido.

Observação
: Para que ocorra a inferência neste exemplo, ou seja, para que ocorra o raciocínio mental que leva das premissas à conclusão, foi necessário o termo médio - homem, ele possibilita a mediação das premissas para a conclusão. Sem o termo médio a inferência não é possível.
Uma característica importante do termo médio é que ele nunca aparece na conclusão.

Veja o mesmo exemplo sem o termo médio:

Todo homem é mortal.
Sócrates é gordo.
Logo, Sócrates é mortal.

Observação: Por não existir o termo médio não foi possível a inferência válida. Neste exemplo, a única conclusão possível é 'Logo, Sócrates é gordo.'

Este argumento é chamado de argumento lógico não válido.

Exemplos do segundo tipo:
Se chover irei ao cinema.
Choveu.
Logo, irei ao cinema.
'Se chover' - antecedente'irei ao cinema' - conseqüenteVerbo 'chover' - termo médio

Este argumento é argumento lógico e válido.

Observação: 
Foi afirmado o antecedente 'choveu' e conclui-se pelo conseqüente 'irei ao cinema'.

Veja o mesmo exemplo, porém não válido
Se chover irei ao cinema.
Fui ao cinema.
Logo, choveu.
Ele é um argumento lógico não válido porque, foi afirmado o conseqüente 'Fui ao cinema' e concluído o antecedente 'choveu'.

Vamos tomar o exemplo sobre Sócrates para este caso:

Argumento lógico válido:
Todo homem é mortal.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

Argumento lógico não válido:

Todo homem é mortal.
Sócrates é mortal.
Logo, Sócrates é homem.

Conclusão: A lógica de um argumento está vinculada a forma com que é construída. Ela não se refere ao conteúdo nem das premissas e nem da conclusão. O último exemplo pode ser escrito deste modo:

Todo A é B. (premissa geral)
C é A.
Logo, C é B (conclusão particular)

A é o termo médio.
Desta forma o argumento é lógico e válido.

Em função disso, pode-se escrever:

Todo zebetrix é zibilex.
Zapalix é zebetrix.
Logo, zapalix é zibilex.

   Não sabemos o que sejam zebetrix, zibilex e zapalix, mas mesmo assim podemos afirmar que o argumento é lógico e válido.
   Quando Aristóteles formulou pela primeira vez o silogismo lógico utilizou um exemplo razoável (o exemplo sobre Sócrates mostrado acima), pois sua pretensão foi a de que fosse útil para os debates filosóficos e para os debates na pólis.

O CONCEITOs 'RACIOCÍNIOS DEDUTIVO E INDUTIVO'
 3. Raciocínio indutivo e raciocínio dedutivo

3.1. Raciocínio indutivo

    O raciocínio indutivo parte de premissas para inferir uma conclusão. As premissas são observações da natureza e de fatos do mundo. Há uma pretensão neste tipo de raciocínio: a conclusão de um particular fundamentado numa proposição geral, mas, como a proposição geral é fruto da observação, ela não é geral.
Por exemplo:
1º Após uma extensa pesquisa sobre gansos, um cientista constatou numa população de 10 milhões de gansos, que todos eles eram brancos. Desta constatação, ele fez a seguinte proposição: 'Todos os gansos são brancos.' Um colega deste cientista telefonou-lhe dizendo que enviou para ele um ganso. O cientista que propôs a teoria acima tem certeza de que o ganso que irá receber é branco? A resposta é não. Sua teoria está fundamentada em 10 milhões de gansos e não em todos os gansos. Portanto, um caso particular - 10 milhões de gansos, não pode fundamentar outro caso particular - um ganso.

2º 
Olhando bem sua para sua pele, uma mulher de 70 anos percebeu muitas rugas e concluiu, para seu, conforto, que todo homem e toda mulher nesta faixa etária têm muitas rugas.

Conclusão: Um argumento que tem como forma um raciocínio indutivo não é lógico.

3.2. Raciocínio dedutivo
    O raciocínio dedutivo conclui um particular de um geral. O geral é sempre uma hipótese. Quando se diz que 'Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal.', está se dizendo: 'Se todo homem é mortal. Se Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal.'
Agora podemos entender melhor o argumento dedutivo e lógico sobre os gansos: 'Se todos os gansos são brancos. E se irei receber um ganso enviado por um colega. Logo, este ganso é branco.'
Pelo visto até agora, podemos chegar a seguinte conclusão: o raciocínio dedutivo partindo de uma hipótese geral não tem referência com o mundo real, mas tem referência com o que o cientista, filósofo ou pensador imagina sobre o mundo. Já o raciocínio indutivo parte de uma observação feita do mundo, de uma realidade, de um evento, de um fato.
   Para concluir, a fonte de verdade para um dedutivista é a lógica, para um indutivista é a experiência.


sábado, junho 27, 2015


O CONCEITO 'LINGUAGEM ALFABÉTICA'

   A linguagem alfabética foi determinante para a crítica dos poemas homéricos (Ilíada e Odisséia) e hesiódicos (Teogonia e O trabalho e os dias). Ela surge em tabuinhas na ilha de Creta. Os gregos passam a usá-la para fixar a linguagem oral em linguagem escrita. Assim, os poemas épicos são lidos freqüentemente e os primeiros filósofos (os pré-socráticos) identificam o antropomorfismo (forma humana) e também atitudes humanas dos deuses, com por exemplo: os deuses tinham raiva, sono, insônia, eram vingativos, se emocionavam. Isso serviu para os filósofos negarem a sua existência enquanto entidades sobrenaturais e torná-los apenas fruto da imaginação humana. A ausência dos deuses e de suas histórias para explicar os fenômenos fez surgir uma crise entre estes pensadores, que partiram à busca de uma linguagem diferente da narrativa para explicar os fenômenos. Nesta busca, inventaram o logos (linguagem racional= linguagem coerente e pertinente). A coerência desta linguagem apresenta-se como uma seqüência hierarquizada das frases e a pertinência refere-se a causa dos fenômenos vinculados ao próprio contexto de cada fenômeno e não separado dele como eram as narrativas mitológica. A linguagem alfabética escrita influenciou também na linguagem política e esta também influenciou a linguagem filosófica.

sexta-feira, junho 26, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'POLÍTICA'

   A importância da política na origem histórica da Filosofia – Marilena Chauí
A idéia da lei como expressão da vontade de uma coletividade humana que decide por si mesma o que é melhor para si e como ela definirá suas relações internas. O aspecto legislado e regulado da cidade - da polis - servirá de modelo para a Filosofia propor o aspecto legislado, regulado e ordenado do mundo como um mundo racional.
O surgimento de um espaço público, que faz aparecer um novo tipo de palavra ou de discurso, diferente daquele que era proferido pelo mito. Neste, um poeta-vidente, que recebia das deusas ligadas à memória (a deusa Mnemosyne, mãe das Musas, que guiavam o poeta) uma iluminação misteriosa ou uma revelação sobrenatural, dizia aos homens quais eram as decisões dos deuses que eles deveriam obedecer.
Agora, com a polis, isto é, a cidade política, surge a palavra como direito de cada cidadão de emitir em público sua opinião, discuti-la com os outros, persuadi-los a tomar uma decisão proposta por ele, de tal modo que surge o discurso político como a palavra humana compartilhada, como diálogo, discussão e deliberação humana, isto é, como decisão racional e exposição dos motivos ou das razões para fazer ou não fazer alguma coisa.
A política, valorizando o humano, o pensamento, a discussão, a persuasão e a decisão racional, valorizou o pensamento racional e criou condições para que surgisse o discurso ou a palavra filosófica.

quinta-feira, junho 25, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'DEMOCRACIA'

   Aristóteles (384 - 322 a.C.) afirmou que o primeiro filósofo foi Tales de Mileto (624 - 548 a.C.). A Filosofia nascente tratava da natureza (physis) e não tratava das coisas humanas. A Filosofia Moral, que trata das relações humanas na pólis, surgiu com Sócrates (470 - 399 a. C.) durante o período em que a democracia grega floresceu. O fato mais importante da democracia, que influenciou no surgimento da Filosofia Moral (Ética), foi o direito à palavra que todos os membros da assembléia popular tinham. Os debates eram feitos de um modo que todos os cidadãos fossem capazes de entender e capazes de interferir com as suas posições (contrárias ou a favor). A linguagem que utilizavam tinha uma forma hierarquizada, por exemplo: a apresentação de um caso ou um conflito, as propostas de solução, as críticas às propostas, a elaboração escrita da proposta aceita pela maioria após a votação direta, a elaboração escrita do modo como devia ser executada a proposta. Esta forma hierarquizada influenciou na forma argumentativa da Filosofia, assim como na lógica criada por Aristóteles posteriormente.
   Sobre a democracia direta:
   "Em 508 a. C. Clístenes proclama a constituição democrática ateninense:
   Na primeira forma de regime democrático surgida no mundo, o principal órgão era a assembléia popular (eklesia), aberta a todos os cidadãos atenienses do sexo masculino acima de 18 anos. Os membros tinham o direito à palavra, e era a assembléia quem decidia as questões políticas e legislativas. Havia também o conselho dos 500 (boule), eleito por maioria pelos cidadãos acima de 30 anos. Funcionava como um corpo executivo que preparava a assembléia e cuidava para que suas decisões fossem efetivadas."

quarta-feira, junho 24, 2015

SERIE CONCEITO



O CONCEITO 'IMANENTE'
O telescópio espacial Hubble tem permitido espreitar os confins do Universo com uma clareza impressionante, e uma das imagens que se tornou num sucesso imediato foi a dos "Pilares da Criação" captada

   O termo "imanência" compõe-se dos termos latinos in e manere, que juntos têm o significado original de "existir ou permanecer no interior" (wikipedia). Os filósofos pré-socráticos ao recusarem a narrativa mitológica como a expressão explicativa dos fenômenos naturais ao mesmo tempo que criaram um problema para si, se viram diante da tarefa de encontrarem uma solução e iniciaram este processo com as perguntas: Qual é a origem do mundo? Existe um princípio primordial (arché) do qual tudo deriva? Se os deuses não são mais 'causadores' da origem do mundo, haveria algo que o teria originado? Tales de Mileto foi o primeiro a propor que a origem de tudo está na substância 'água', disse ele "Tudo é água.". Se antes tudo era unificado pelo poder de Zeus, agora, na Filosofia, tudo está reduzido à água, de outro modo, tudo está unificado pela água. A água, portanto, seria o princípio primordial dos fenômenos do mundo (fenômeno = aquilo que aparece). Este princípio não está fora da natureza, ele está na natureza. Portanto, o princípio não transcende a natureza, mas é imanente à ela, está dentro dela.

SÓ DEPENDE DE MIN


Nós devemos voltar para Deus. Nossa vontade mesmo é voltar para Deus, mas o problema é que não podemos voltar para Ele com nossos próprios esforços. Pelo contrário, nossos esforços só podem gerar resultados ruins, nos levando a nos afastar de Deus e a nos opormos a Ele mais ainda.
Na nossa mente carnal, nós pensamos que Deus tirou tudo que nos faz feliz. Pensamos que quanto mais nos afastarmos de Deus, mais poderemos ser livres e felizes. Entretanto, o que descobrimos é que, quanto mais nos afastamos de Deus, isso não nos traz alegria, mas miséria. E não é liberdade o que vemos, e sim uma fraqueza impotente da carne. Então devemos desistir de nossas ideias pré-concebidas e obedecer a Palavra de Deus para recebermos Sua salvação gratuita.

Deus não deixará o homem agir à vontade para sempre, mas Sua forte mão virá sobre ele no julgamento final. Contudo, ela ainda poderá fugir do julgamento através de sua verdadeira fé na justiça De Deus. Ao crerem na justiça de Deus, eles não serão mais condenados por seus pecados; pelo contrário, eles receberão uma glória maior ainda.

terça-feira, junho 23, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'TRANSCENDÊNCIA'

   Trancendência significa estar além dos limites do mundo ( a palavra metafísica, que significa além da natureza está relacionada a palavra transcendência). Na época mitológica, os gregos tomavam os deuses como participantes de suas vidas e de todos os fenômenos, como pode ser lido em Ilíada e Odisséia do poeta Homero. Apesar desta participação, eles residiam no Olimpo (Monte Olimpo - o ponto mais alto da Grécia), sugerindo um plano além do mundo dos mortais (modo como os gregos se tratavam para se diferenciarem dos deuses, que eram imortais). O conceito 'transcendência' opõe-se ao conceito 'imanência'.

segunda-feira, junho 22, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'CAUSA'
   Contrapondo-se à narrativa, que está vinculada à transcendência, a causa, na Filosofia pré-socrática está vinculada à imanência, ou seja, a causa é aquilo que fez surgir o fenômeno (fenómeno = acontecimento observável (literalmente algo que pode ser visto, derivado da palavra grega phainomenon = observável) e que está subjacente a ele, mas não está fora do mundo ou da natureza.
  
 "A causa é o termo correlacionado a efeito e que se concebe a partir de dois enfoques fundamentais:
O primeiro seria o vínculo que correlaciona os próprios fenômenos e que faz com que um ou vários deles apareçam como condição da existência de outros, isto é, onde existe uma causa, sempre haverá o efeito desta, instantâneo ou retardado no domínio do tempo.
O segundo é a relação entre um ser inteligente e o ato que ele praticou voluntariamente e pelo qual é responsável, ou, se alguém cometer algum ato, bom ou mau sempre terá o retorno deste, na mesma proporção, por exemplo, causa: comer alimento, efeito, saciar a fome; causa comer veneno, efeito, provavelmente morrer, cabe salientar que nem todos os efeitos sucedem à causa com a mesma intensidade; o indivíduo pode comer o veneno, porém pode permanecer vivo, porém os efeitos serão sentidos pela mesma causa."

domingo, junho 21, 2015

SERIE CONCEITO


O CONCEITO 'NARRATIVA'

   O conceito 'narrativa' neste tópico está relacionado aos poemas épicos Ilíada e Odisséia. O poema Ilíada conta como foi a guerra entre gregos e troianos, e mostra as virtudes da aristocracia grega e a relação destas virtudes com os deuses. Trecho inical de Ilíada:
  
   "Canta, ó Musa, a ira de Aquiles, filho de Peleu, que incontáveis males trouxe às hostes dos aqueus. Muitas almas de heróis desceram à casa de Hades e seus corpos foram presa dos cães e das aves de rapina, enquanto se fazia a vontade de Zeus, a partir do dia em que se desavieram o filho de Atreu, rei dos homens, e Aquiles, semelhante aos deuses. 

    Que deus provocou a desavença entre eles? O filho de Leto e de Zeus, que fora ofendido pelo rei. Assim, ele mandou sobre o acampamento a peste cruel e muita gente morreu. O rei ofendera seu sacerdote, Crises, quanto este chegara até os navios dos aqueus, levando consigo ricos presentes para resgatar sua filha. Empunhava um bastão de ouro, enfeitado com as guirlandas de Apolo, o arqueiro infalível, e dirigiu sua súplica a todos os aqueus, mas especialmente aos dois príncipes filhos de Atreu.
_ Filhos de Atreu e vós, aqueus seus súditos, possam os deuses que moram no Olimpo permitir que tomes a cidade de Príamo e que regresseis sem percalços à vossa pátria! Libertai, porém, minha amada filha, eu vos imploro, e respeitai Apolo, o arqueiro infalível, filho de Zeus."


   Como se vê, a narrativa conta uma história, esta é característica principal da mitologia. A narrativa apresenta uma ação onde aparecem conflitos, personagens (deuses e homens), cenas exemplares, características humanas e divinas, e principalmente as virtudes.
   Como aponta Mircea Eliade (mitólogo): 
"o mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo fabuloso do "princípio". Em outros termos, o mito narra como, graças às façanhas dos Entes Sobrenaturais, uma realidade passou a existir, seja uma realidade total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma "criação": ele relata de que modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala apenas do que realmente ocorreu, do que se manifestou plenamente. Os personagens dos mitos são os Entes Sobrenaturais. Eles são conhecidos sobretudo pelo que fizeram no tempo prestigioso dos "primórdios".